
A Eskiva Suplementos passou a chamar atenção nas redes sociais após divulgar um modelo de negócios que promete retornos financeiros elevados em curto prazo, além de um sistema de remuneração baseado na indicação de novos participantes.
Materiais analisados pelo MNEWS mostram uma proposta bastante objetiva: “Investiu R$ 100, dobrou em 30 dias.”
Segundo a divulgação, o participante realiza um aporte de R$ 100, recebe um primeiro saque de R$ 100 após 15 dias e, depois de mais 15 dias, recebe outros R$ 100, totalizando R$ 200 em apenas um mês.
Outro material apresenta uma suposta rentabilidade diária de 6,67% sobre cada aplicação, com planos que variam de R$ 10 até R$ 10.000.

Além disso, o modelo prevê um bônus de indicação distribuído em até oito níveis, pagando percentuais sobre as aplicações realizadas por pessoas que ingressarem na rede.
Essas características chamam atenção porque combinam três elementos frequentemente observados em operações consideradas de alto risco:
- promessa de rentabilidade muito acima da média do mercado;
- remuneração baseada em aportes financeiros;
- pagamento de bônus pela formação de uma rede de participantes.
O que diz a empresa
Em buscas públicas realizadas pelo MNEWS, foi localizado um site de divulgação do programa que afirma que o participante pode dobrar o capital em 30 dias e receber comissões por indicações em até oito níveis.
Ao mesmo tempo, o próprio material informa que o programa não é um investimento regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pelo Banco Central ou por outro órgão do sistema financeiro, e que não possui garantias como as existentes em aplicações financeiras tradicionais.
A empresa também possui um site institucional voltado para a comercialização de suplementos esportivos, apresentando uma operação comercial de venda de produtos.
O que desperta questionamentos
A principal dúvida levantada por especialistas em mercado financeiro sempre que modelos semelhantes surgem é bastante simples:
De onde vem o dinheiro utilizado para pagar retornos tão elevados?
Caso a remuneração seja sustentada predominantemente pela entrada de novos participantes, e não pela atividade econômica principal da empresa, o modelo pode apresentar características semelhantes às observadas em esquemas conhecidos como pirâmides financeiras.
Entretanto, não é possível afirmar, apenas com base nos materiais divulgados, que a Eskiva Suplementos pratique uma pirâmide financeira. Essa caracterização depende de investigação das autoridades competentes e da análise da origem dos recursos utilizados para remunerar os participantes.
Promessas de retorno exigem cautela
A própria Comissão de Valores Mobiliários alerta que promessas de rentabilidade extraordinária costumam ser utilizadas para atrair investidores e recomenda que qualquer proposta com ganhos muito acima dos padrões de mercado seja analisada com extremo cuidado.
Questionamentos que precisam ser respondidos
Entre os principais pontos que merecem esclarecimento estão:
- Qual atividade econômica gera os recursos utilizados para pagar os rendimentos?
- Qual percentual do faturamento vem efetivamente da venda de suplementos?
- Quanto da receita decorre da adesão aos planos divulgados?
- Como é possível sustentar uma rentabilidade anunciada de 6,67% ao dia?
- Existe parecer ou autorização de algum órgão regulador sobre esse modelo de remuneração?
O outro lado
O MNEWS deixa o espaço aberto para manifestação da Eskiva Suplementos. Caso a empresa deseje apresentar esclarecimentos sobre o funcionamento do modelo de negócios, a origem dos recursos utilizados para pagamento dos rendimentos e qualquer outra informação pertinente, a reportagem será atualizada para incluir integralmente sua versão dos fatos.


