
A iGreen Energy está preparando uma de suas maiores apostas fora do mercado tradicional de energia. A nova frente é a iGreen Mob, vertical dedicada à mobilidade elétrica e à expansão de uma rede de eletropostos pelo Brasil.
E a operação começa maior do que muitos imaginam.
A iGreen Mob nasce a partir da aquisição da PV Mob, empresa mineira que já possuía mais de 150 eletropostos e presença em Minas Gerais, Goiás e São Paulo. Com a aquisição, a estrutura passa a integrar o ecossistema da iGreen, que pretende acelerar significativamente sua expansão nacional.
Meta de 10 mil eletropostos
Antes mesmo da aquisição, a PV Mob já havia firmado uma parceria com a Nansen, fabricante de equipamentos e soluções para o setor elétrico, para um ambicioso projeto de expansão.
A projeção divulgada é chegar a 2 mil eletropostos até o final de 2027 e atingir 10 mil unidades até 2030. O investimento estimado para o projeto chega a aproximadamente R$ 1 bilhão ao longo dos próximos anos.
A estratégia prevê levar os carregadores principalmente para locais de circulação e permanência de consumidores, como supermercados, restaurantes, hotéis, shoppings, estacionamentos, concessionárias, empresas e centros comerciais. O próprio site da iGreen já apresenta esses segmentos como potenciais destinos da nova infraestrutura.
O licenciado pode ganhar com as recargas
Para o mercado de relacionamento, entretanto, existe um detalhe ainda mais interessante.
Segundo informações divulgadas após a aquisição, licenciados da iGreen que participarem da viabilização de novos pontos poderão receber comissão pela implantação e também valores recorrentes relacionados às recargas realizadas nesses eletropostos.
Na prática, isso adiciona uma nova possibilidade de recorrência ao ecossistema.
O licenciado identifica um estabelecimento ou potencial ponto de instalação, conecta o empresário à operação e, caso o projeto avance dentro das condições comerciais da companhia, poderá participar economicamente daquela operação.
Quanto mais veículos utilizarem o eletroposto indicado, maior passa a ser o potencial econômico daquele ponto.
iGreen poderá participar do investimento
Outro elemento chama atenção.
De acordo com informações divulgadas pelo Diário do Comércio, o modelo apresentado prevê que a iGreen possa participar com 30% do investimento nos equipamentos, enquanto o parceiro entra com os demais recursos.
Em locais considerados estratégicos, a empresa poderá chegar a assumir até 100% dos custos de instalação, mesmo quando o proprietário do estabelecimento não quiser investir diretamente no equipamento.
Isso pode acelerar a criação da rede, principalmente porque transforma estabelecimentos comerciais em potenciais parceiros de infraestrutura.
Os detalhes definitivos de valores, remuneração, equipamentos e condições de participação, entretanto, ainda dependem das regras comerciais apresentadas pela própria iGreen para cada projeto. O site oficial informa que formatos de parceria, novos pontos e cronogramas de expansão ainda estão em estruturação.
O mercado está crescendo rapidamente
A aposta acontece justamente quando a infraestrutura de recarga brasileira vive forte expansão.
Dados divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico, a ABVE, mostram que o Brasil chegou a 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga em agosto de 2026. Um ano antes eram 16.880.
Isso representa crescimento de 76,9% em apenas 12 meses.
A recarga rápida cresce ainda mais.
O país já possui 11.397 pontos de recarga rápida DC, avanço de 195,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Quase 2 mil municípios brasileiros já possuem alguma infraestrutura para carregamento de veículos elétricos.
Ao mesmo tempo, a frota brasileira de veículos leves eletrificados atingiu a marca de 1 milhão de unidades em setembro de 2026, segundo a ABVE.
Ou seja, existe uma corrida acontecendo simultaneamente em duas frentes: mais veículos chegando às ruas e empresas tentando construir a infraestrutura necessária para atendê-los.
Um novo mercado dentro do ecossistema iGreen
A iGreen Mobi também mostra uma transformação maior na estratégia da companhia.
A empresa, que ganhou escala principalmente através da energia, vem construindo um ecossistema com diferentes verticais. Agora, mobilidade elétrica passa oficialmente a fazer parte dessa estrutura ao lado de energia, telecomunicações, seguros e outras soluções.
Existe ainda uma possibilidade de integração entre os próprios serviços.
Thiago Alexander já revelou planos para conectar seguros de veículos elétricos aos eletropostos, inclusive com possibilidade de cashback para utilização nas estações de recarga da rede.
Isso significa que um mesmo cliente poderá, no futuro, circular por diferentes produtos dentro do ecossistema.
O verdadeiro tamanho da oportunidade
Talvez esse seja o ponto mais importante da iGreen Mob.
A empresa não está simplesmente lançando um carregador de carros elétricos.
Está tentando construir uma rede física nacional de infraestrutura.
Se a meta de 10 mil eletropostos até 2030 for alcançada, a iGreen terá criado milhares de pontos físicos espalhados pelo país, conectando estabelecimentos, motoristas e licenciados em torno de uma atividade com potencial de receita recorrente.
E existe uma diferença fundamental em relação a vários outros produtos do mercado: depois que um eletroposto é instalado, ele pode continuar gerando transações sempre que um novo motorista utilizar aquele ponto.
Para uma companhia que construiu boa parte de sua estratégia baseada em recorrência, a mobilidade elétrica pode representar uma nova avenida de crescimento.
Agora, o mercado aguarda os próximos anúncios da empresa para entender detalhes como valores dos equipamentos, regras de participação dos licenciados, percentual de recorrência sobre as recargas e velocidade de implantação dos novos pontos.
Uma coisa, porém, já está clara: a iGreen decidiu entrar em um mercado que está apenas começando a ganhar escala no Brasil.
E, desta vez, a disputa não será apenas pela conta de energia.
Será também por onde os carros do futuro irão parar para recarregar.



